A extração de siso é a cirurgia que remove o terceiro molar quando ele está mal posicionado, sem espaço para nascer ou causando problemas como inflamação, cárie ou danos ao dente vizinho. É feita com anestesia local, depois de exame de imagem, e dura de alguns minutos a pouco mais de uma hora, conforme a posição do dente.
O siso tem má fama antes mesmo de aparecer. Muita gente chega ao consultório convencida de que vai doer muito e que a recuperação vai tirar dias de trabalho. Parte dessa reputação tem fundamento: a extração de siso incluso é um procedimento cirúrgico, com pós-operatório que exige cuidados. A outra parte é exagero. O resultado é que muitos pacientes adiam a avaliação até que dor, infecção ou dano ao segundo molar forcem um atendimento de urgência, quase sempre mais complexo do que o planejado.
Este guia explica quando extrair o siso, como se preparar, o que acontece em cada etapa da cirurgia, quanto tempo ela leva, o que muda entre um siso erupcionado e um incluso, quais são os riscos e quem deve fazer o procedimento.

Quando a extração do siso é indicada?
O siso é o último dente a erupcionar, e o problema não é a existência do dente, e sim a falta de espaço na arcada: muitas vezes ele encontra o segundo molar, o osso ou um ângulo desfavorável e fica retido, parcial ou totalmente. Os sintomas do siso nascendo, como pressão e gengiva sensível atrás do último molar, costumam ser o primeiro sinal dessa falta de espaço. A extração não é automática. As indicações mais comuns são:
- Pericoronarite recorrente: inflamação da gengiva que cobre parte do siso semi-incluso, o quadro conhecido como siso inflamado. A área sob essa gengiva (opérculo) acumula resíduos e bactérias e não pode ser higienizada. Dois ou mais episódios são indicação consolidada para extração, porque a anatomia não vai mudar.
- Cárie no siso ou no segundo molar: a face de trás do segundo molar costuma desenvolver cárie quando o siso incluso encosta nela.
- Reabsorção da raiz do segundo molar pela pressão do siso impactado.
- Cistos ou tumores odontogênicos ao redor da coroa do siso incluso.
- Siso sem antagonista que continua “descendo” ou “subindo” e interfere na mordida.
- Planejamento ortodôntico, protético ou de implantes, quando o siso atrapalha o tratamento. A relação entre siso e apinhamento dos dentes da frente é debatida, e a decisão deve ser individualizada.
A indicação preventiva em jovens, quando a avaliação mostra alta chance de problemas futuros, tem embasamento clínico: raízes ainda em formação são mais curtas e menos próximas do nervo alveolar inferior, o que tende a tornar a extração mais simples e a recuperação mais rápida. Isso não significa que todo siso deve ser extraído, e os critérios para saber quando o siso precisa ser tirado e quando pode ficar partem do exame. Sisos bem posicionados e higienizáveis, ou inclusos profundos sem sinais de problema, podem ser acompanhados com exames periódicos.
Tipos de siso: o que muda na extração
Não existe uma extração de siso genérica. A complexidade, o tempo de cirurgia e o pós-operatório dependem de quatro fatores: posição do dente no osso, angulação (vertical, horizontal, inclinado para a frente ou para trás), profundidade e formato das raízes. Essa variação faz parte da anatomia do dente siso, bem menos previsível que a dos outros molares.
| Tipo de siso | Como é a extração | Tempo de cirurgia (em geral) | Pós-operatório esperado |
|---|---|---|---|
| Erupcionado (todo visível na boca) | Como uma extração convencional, sem corte na gengiva nem remoção de osso na maioria dos casos | 5 a 20 minutos | Dor leve a moderada por 24 a 48 horas, inchaço discreto |
| Semi-incluso (parte coberta por gengiva ou osso) | Incisão na gengiva e, muitas vezes, remoção de um pouco de osso; às vezes o dente é dividido | 20 a 45 minutos | Inchaço mais evidente e dificuldade leve a moderada de abrir a boca, que melhora em cinco a sete dias |
| Incluso ou impactado (todo dentro do osso) | Retalho na gengiva, remoção de osso e divisão do dente em partes | Até 60 a 90 minutos nos casos mais complexos | Pico de inchaço no segundo dia; recuperação funcional em geral de 7 a 14 dias |
Mesmo um siso erupcionado pode ter raízes curvas, divergentes ou muito presas ao osso, o que torna a extração mais trabalhosa do que parece no exame da boca. Por isso a imagem antes da cirurgia nunca deve ser dispensada. No siso incluso ou impactado, é ela que define o acesso pela gengiva e pelo osso, a divisão do dente e a necessidade de tomografia.
Como se preparar para a extração do siso
O preparo começa na consulta de avaliação, que define se a extração é necessária e como ela será feita.
- Exame de imagem. A radiografia panorâmica mostra a posição do siso, o formato das raízes e a presença de lesões. Quando as raízes parecem próximas ao nervo alveolar inferior (sisos de baixo) ou ao seio maxilar (sisos de cima), a tomografia computadorizada de feixe cônico mostra essa relação em três dimensões.
- Histórico de saúde. Informe ao cirurgião doenças, alergias e todos os medicamentos em uso, principalmente anticoagulantes e remédios para pressão ou diabetes. Algumas situações pedem ajuste prévio com o médico.
- Plano cirúrgico. O profissional deve mostrar a imagem, explicar a técnica prevista, o tempo estimado, o tipo de anestesia e os riscos do seu caso.
- Logística da recuperação. Programe alguns dias de rotina mais leve, alimentos macios em casa e os cuidados orientados por escrito pelo cirurgião.
Se houver pericoronarite ativa, com dor e inchaço, o profissional pode tratar a inflamação primeiro e programar a extração para depois.
Como é feita a extração do siso, passo a passo
A extração de siso segue uma sequência bem definida. A complexidade varia com a posição do dente, mas a lógica é a mesma em todos os casos.
- Anestesia local. Para sisos inferiores, a técnica mais usada é o bloqueio do nervo alveolar inferior, que anestesia o lado inteiro da mandíbula, incluindo lábio, queixo e língua. Para sisos superiores, a anestesia é feita ao redor do dente. O profissional confirma o efeito antes de começar.
- Acesso ao dente. No siso erupcionado, a gengiva ao redor do colo do dente é descolada (sindesmotomia). No semi-incluso e no incluso, o cirurgião faz uma incisão e afasta um retalho de gengiva para expor o osso.
- Remoção de osso (osteotomia). Quando o dente está coberto, uma pequena quantidade de osso é removida com brocas, sob irrigação constante com soro fisiológico para controlar o calor.
- Divisão do dente (odontossecção). Na maioria dos sisos inclusos, a coroa ou as raízes são cortadas em partes para sair uma de cada vez. Isso não é sinal de complicação: é uma técnica planejada que evita remover mais osso.
- Remoção e limpeza do alvéolo. O dente é retirado com elevadores ou fórceps, e o local é limpo de restos de tecido e fragmentos soltos.
- Sutura e gaze. A gengiva é reposicionada e suturada, com fio absorvível ou não, conforme o protocolo. Os absorvíveis caem sozinhos, os demais são retirados no retorno, e a cicatrização da gengiva e dos pontos segue fases visíveis nas semanas seguintes. Uma gaze sobre o local ajuda a controlar o sangramento.
Depois da cirurgia, o paciente mantém pressão sobre a gaze por cerca de 30 a 45 minutos e recebe as orientações de cuidados e a prescrição do cirurgião.
Quanto tempo demora a extração do siso?
A duração varia de cerca de 15 minutos, num siso erupcionado sem complicações, a 60 ou 90 minutos num siso incluso com raízes divergentes ou em posição horizontal junto ao nervo. A esse tempo somam-se a anestesia e as orientações finais. Quando mais de um siso é removido na mesma sessão, como ao tirar os quatro sisos de uma vez, o tempo aumenta de acordo com a complexidade de cada dente.
Extrair siso dói?
Durante a cirurgia, com a anestesia funcionando, o paciente não deve sentir dor. Ele percebe pressão, movimento, vibração e o som dos instrumentos, o que pode surpreender quem não foi avisado, mas não é dor. Quem chega esperando pressão sem dor costuma ter uma experiência bem mais tranquila do que quem chega esperando dor intensa.
O pós-operatório é a parte que exige preparação. Inchaço, dor que responde aos medicamentos prescritos e dificuldade de abrir a boca (trismo) são esperados. Em casos de complexidade habitual, o pico inflamatório ocorre entre 24 e 72 horas e o retorno à função normal costuma acontecer entre 5 e 10 dias. Extrações de sisos superiores, em geral, têm pós-operatório menos intenso do que as de inferiores inclusos. A recuperação dia a dia, com repouso e controle do inchaço, e o que comer depois de tirar o siso seguem orientações próprias, que o cirurgião entrega por escrito.
Anestesia local, sedação ou centro cirúrgico?
A grande maioria das extrações de siso é feita em consultório, só com anestesia local. Em alguns casos, outras opções são discutidas:
- Sedação consciente: complementa a anestesia local e deixa o paciente relaxado, sem necessidade de intubação. Pode ser considerada para quem tem ansiedade intensa ou para cirurgias mais longas.
- Anestesia geral em ambiente hospitalar: reservada a casos de extrema complexidade, a pacientes com condições de saúde que exigem esse ambiente ou a situações específicas avaliadas pelo cirurgião.
A escolha depende da complexidade de cada dente, da saúde geral e do perfil do paciente, e é definida na avaliação.
Riscos e complicações da extração de siso
A extração de siso é um dos procedimentos mais comuns e mais bem documentados da cirurgia oral, mas tem riscos que o paciente deve conhecer antes de consentir.
Alveolite. Ocorre quando o coágulo que se forma no local da extração se desfaz cedo demais, deixando o osso exposto. Causa dor intensa e crescente que começa, em geral, entre o segundo e o quinto dia, ao contrário da dor normal, que diminui. É tratada pelo profissional com limpeza e curativo local. Estudos citam ocorrência em cerca de 1 a 5% das extrações convencionais, com frequência bem maior em fumantes. Não fumar por pelo menos 48 a 72 horas, não usar canudo e evitar bochechos vigorosos nas primeiras 24 horas ajudam a prevenir a alveolite.
Alteração de sensibilidade (parestesia). Em sisos inferiores com raízes próximas ao nervo alveolar inferior, pode haver dormência ou formigamento no lábio, no queixo ou na língua do lado operado. Na maioria dos casos é temporária e melhora em semanas a alguns meses. A parestesia permanente é rara, estimada em menos de 1% dos casos na literatura, e sua probabilidade está ligada à distância entre as raízes e o canal mandibular, que a tomografia ajuda a avaliar. Em casos de risco muito alto, a coronectomia, remoção só da coroa com as raízes deixadas no osso, é uma alternativa documentada. Ela não é indicada quando o dente está infectado ou com cárie que atinja a polpa.
Seio maxilar. Na extração do siso de cima, as raízes podem estar próximas do seio maxilar, e o cirurgião avalia essa relação na imagem para planejar a técnica.
Infecção e sangramento. São menos comuns quando as orientações são seguidas. Febre, pus, sangramento que não para com compressão ou inchaço que aumenta depois do terceiro dia pedem contato com a clínica.
O que acontece se a extração do siso for adiada?
Alguns sisos podem ficar em observação com radiografias periódicas, como inclusos profundos, sem lesão e sem dano ao segundo molar, em pessoas para quem a cirurgia traria mais risco do que benefício. Mas, em muitos sisos semi-inclusos e inclusos com indicação de extração, o adiamento não estabiliza a situação.
- Pericoronarite de repetição: os episódios tendem a voltar e, em casos graves, a infecção pode se espalhar para regiões do pescoço e exigir internação. A angina de Ludwig, infecção do assoalho da boca com risco para a respiração, é rara, mas real.
- Dano ao segundo molar: cárie e reabsorção da raiz podem avançar sem dor até que o segundo molar, importante para a mastigação, precise ser extraído junto.
- Cistos: o folículo ao redor do siso incluso pode se expandir em cisto dentígero e, em casos raros, estar associado a lesões mais agressivas, como o ceratocisto odontogênico (classificado entre 2005 e 2017 como tumor odontogênico queratocístico).
- Cirurgia mais complexa com o tempo: com a idade, as raízes se completam e se aproximam do nervo e o osso fica mais denso, o que tende a aumentar a complexidade e o risco de parestesia temporária.
Quem faz a extração de siso: dentista ou bucomaxilofacial?
A extração de siso pode ser feita por cirurgiões-dentistas clínicos com experiência em cirurgia oral e por cirurgiões bucomaxilofaciais, especialistas em cirurgia da boca e da face reconhecidos pelo CFO. Para sisos erupcionados ou semi-inclusos com angulação favorável e raízes afastadas do nervo, um clínico experiente e bem equipado pode entregar um ótimo resultado.
Para sisos inclusos profundos, em posição horizontal ou invertida, com raízes em contato com o canal mandibular, com cistos associados ou com indicação de sedação ou anestesia geral, o cirurgião bucomaxilofacial é a indicação que mais favorece a segurança. Na avaliação, observe se o profissional:
- pede e mostra a imagem adequada ao caso, incluindo tomografia quando há proximidade com o nervo;
- explica o plano de acesso e se o dente precisará ser dividido;
- informa os riscos do seu caso, inclusive o neurológico, sem minimizar a complexidade;
- entrega por escrito os cuidados do pós-operatório.
Desconfie de promessas de “cinco minutinhos” para sisos inclusos profundos ou de quem não menciona o nervo quando as raízes estão próximas a ele.
O que influencia o valor da extração de siso
O valor depende da posição e do grau de inclusão do siso, da técnica necessária (com ou sem remoção de osso e divisão do dente), dos exames de imagem, do tipo de anestesia e de quantos dentes serão removidos. Quando a extração é feita sob sedação ou em ambiente hospitalar, há custos adicionais de equipe e estrutura. A cobertura por planos odontológicos varia conforme o contrato e o procedimento, por isso vale consultar o plano antes. Saber quanto custa tirar o siso e o que cada orçamento inclui ajuda a comparar propostas de forma justa. O valor do seu caso é informado na avaliação, depois do exame clínico e de imagem.
Extração de siso no Instituto Siguimi Tanigute
No Instituto Siguimi Tanigute, em Goiânia, as extrações de siso seguem protocolo com avaliação de imagem feita na própria clínica, com raio-X e tomografia, e discussão do plano cirúrgico antes de qualquer procedimento. O fundador, Dr. Siguimi Tanigute (CRO-GO 3859), é cirurgião-dentista especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial, e o Instituto, que atua desde 1992, soma mais de 30 mil sisos removidos.
Bem indicada e bem planejada, a extração de siso tem desconforto real no pós-operatório, mas está longe do evento traumático que a fama sugere. Para saber se o seu siso precisa sair e como seria a cirurgia, agende sua avaliação pelo WhatsApp (62) 99946-2547 ou conheça a página de extração de siso do Instituto.