O tratamento periodontal é o conjunto de procedimentos que trata a doença da gengiva e do osso que sustentam os dentes. Ele começa com o diagnóstico por sondagem, segue com limpeza profunda abaixo da gengiva e, quando preciso, cirurgia, e termina numa manutenção periódica que impede a doença de voltar.
A periodontite é uma das principais causas de perda de dentes em adultos, e o levantamento nacional de saúde bucal do Ministério da Saúde (SB Brasil) mostra que alterações periodontais são frequentes entre adultos brasileiros. E o problema não é exclusivo de quem tem má higiene: diabetes, tabagismo, histórico familiar e algumas condições imunológicas alteram a resposta do organismo à infecção e aceleram a perda óssea.
Este guia explica o que é a doença periodontal, o que faz o periodontista, quando procurar avaliação, como é feito o tratamento em cada etapa, quais são os fatores de risco e por que a manutenção não é opcional.

O que é doença periodontal?
Doença periodontal é o nome dado às inflamações e infecções do periodonto, o conjunto de tecidos que prende o dente ao osso: gengiva, ligamento periodontal, cemento da raiz e osso alveolar. Ela é causada pelo acúmulo de biofilme bacteriano (placa) na junção entre dente e gengiva e tem duas formas principais, que definem o tratamento e o prognóstico.
Gengivite: a fase reversível

A gengivite é a inflamação restrita à gengiva, sem destruição do osso ou do ligamento. A gengiva sangra ao toque da escova, fica avermelhada e pode inchar, mas a profundidade de sondagem está dentro do normal (até cerca de 3 mm). Com a remoção profissional de placa e tártaro acima da gengiva e a correção da higiene, ela regride sem sequelas e não requer cirurgia.
Periodontite: quando o osso começa a ser perdido
Na periodontite, a infecção ultrapassa a margem da gengiva e atinge o ligamento, o cemento e o osso. A destruição óssea é, na maioria dos casos, irreversível sem procedimentos de regeneração específicos. Por isso a resposta à pergunta se a periodontite tem cura é diferente da gengivite: o tratamento controla a doença, mas não devolve tudo o que foi perdido.
A sondagem revela bolsas com mais de 3 mm (de forma geral, bolsas de 4 a 6 mm indicam doença moderada e acima de 6 mm, avançada), e a radiografia mostra perda óssea horizontal ou vertical, conforme o padrão da doença. Mobilidade dos dentes, sensibilidade nas raízes, mau hálito persistente e retração da gengiva, que “alonga” o dente, costumam aparecer em estágios moderados a avançados.
| Gengivite | Periodontite | |
|---|---|---|
| Onde está a inflamação | Só na gengiva | Gengiva, ligamento e osso |
| Perda óssea | Não | Sim, em geral irreversível |
| Bolsa na sondagem | Até cerca de 3 mm | Acima de 3 mm |
| Tratamento | Limpeza profissional e higiene orientada | Raspagem abaixo da gengiva, às vezes cirurgia, e manutenção contínua |
| Prognóstico | Volta ao normal | Controle da doença, não reversão completa |
Classificação atual da doença periodontal
A classificação atual foi definida em 2017, no World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. Nela, a periodontite é organizada em estágios (I a IV, conforme a extensão e a gravidade da destruição) e graus (A, B e C, conforme a velocidade de progressão e a presença de fatores de risco).
Essa classificação importa para o paciente porque indica a complexidade do tratamento. Um estágio I grau A costuma responder bem ao tratamento não cirúrgico. Um estágio III grau C, associado a diabetes não controlado, tabagismo intenso ou progressão rápida, exige abordagem multidisciplinar, pode precisar de cirurgia e tem prognóstico que depende tanto do controle dos fatores de risco quanto da intervenção odontológica.
O que é periodontia e o que faz o periodontista?
Periodontia é a especialidade da odontologia que previne, diagnostica e trata as doenças da gengiva e do osso de suporte dos dentes. É reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), e o periodontista é o cirurgião-dentista com título de especialista obtido em especialização ou residência credenciada.
No dia a dia, o periodontista:
- faz o periodontograma, o mapa das bolsas, do sangramento e da retração ao redor de cada dente;
- classifica a doença em estágio e grau e define o protocolo;
- realiza raspagem e alisamento radicular, cirurgias periodontais e enxertos de gengiva;
- conduz a manutenção periodontal de longo prazo;
- avalia a saúde da gengiva antes de próteses, aparelhos e implantes, e trata inflamações ao redor de implantes.
O clínico-geral pode tratar gengivite e periodontite leve, e bem. Casos moderados a graves, especialmente com indicação de cirurgia, se beneficiam do treinamento do especialista.
Quando procurar um periodontista?
A doença periodontal costuma ser silenciosa no início e quase nunca dói. Saber como é uma gengiva saudável, rosada, firme e sem sangramento, ajuda a notar as mudanças cedo. Vale marcar uma avaliação quando aparecer um ou mais destes sinais:
- gengiva que sangra ao escovar ou usar fio dental;
- gengiva vermelha, inchada ou sensível;
- mau hálito ou gosto ruim que não melhora com a higiene;
- dentes que parecem mais compridos, por retração da gengiva;
- dentes com mobilidade ou que mudaram de posição, abrindo espaços;
- pus entre o dente e a gengiva ou uma bolinha na gengiva que solta secreção;
- sensibilidade nas raízes ao frio.
Também merecem avaliação, mesmo sem sintomas, pessoas com diabetes, fumantes, gestantes ou quem planeja engravidar, quem tem histórico familiar de perda precoce de dentes e quem vai fazer implante, prótese ou aparelho ortodôntico. Um detalhe importante: o fumo reduz o sangramento da gengiva e pode esconder o principal sinal de alerta.
Nem toda alteração na gengiva é doença periodontal. A gengiva escura costuma ser pigmentação natural, enquanto uma área branca na gengiva que não sai ao raspar precisa de exame. Feridas e bolinhas, como a afta na gengiva e a mucocele no lábio, também merecem avaliação quando duram mais de duas semanas ou voltam com frequência.
Como é feito o tratamento periodontal: etapa por etapa
Muitos pacientes ficam ansiosos por não saber quantas sessões serão necessárias e quando o tratamento “termina”. A sequência tem uma lógica clara:
| Etapa | O que acontece |
|---|---|
| 1. Diagnóstico | Periodontograma completo e radiografias para classificar a doença |
| 2. Controle de placa | Orientação de escovação, fio e escovas interdentais |
| 3. Raspagem e alisamento radicular | Limpeza abaixo da gengiva, com anestesia local |
| 4. Reavaliação | Nova sondagem de quatro a seis semanas depois |
| 5. Cirurgia, se necessária | Só nos locais que não responderam à raspagem |
| 6. Manutenção | Consultas periódicas, com frequência definida pelo risco |
1. Consulta de diagnóstico e periodontograma
Na consulta de diagnóstico, o periodontista faz a sondagem completa: uma sonda milimetrada é inserida ao redor de cada dente, em seis pontos, para medir a profundidade das bolsas e registrar sangramento, pus e retração da gengiva.
Esse mapeamento, o periodontograma, mostra quais dentes têm bolsas, qual a profundidade e onde há destruição ativa. Junto com as radiografias, ele permite classificar a doença em estágio e grau. Quando é registrado em software, o mapa pode ser mostrado ao paciente de forma visual, o que facilita a compreensão e a motivação para o tratamento.
2. Controle de placa e orientação de higiene
Antes da raspagem, o periodontista precisa garantir que o paciente consegue manter uma boa higiene. Isso não é burocracia: raspagem feita numa boca com higiene inadequada tem resultado pior e recidiva mais rápida.
O profissional orienta a técnica de escovação, o uso de fio dental e de escovas interdentais e, quando indicado, prescreve bochechos como a clorexidina 0,12% por período limitado. Em geral, busca-se um índice de placa baixo, em torno de 20% ou menos, para que a raspagem alcance o resultado esperado.
3. Raspagem e alisamento radicular

A raspagem e alisamento radicular (RAR), também chamada de raspagem subgengival ou “limpeza profunda”, é a base do tratamento não cirúrgico. Ela remove o biofilme, o tártaro e o cemento contaminado da superfície da raiz, dentro da bolsa, com curetas manuais ou aparelhos de ultrassom. Ela é diferente da limpeza comum, que só remove o tártaro acima da gengiva, e o artigo sobre tártaro e raspagem periodontal mostra quando cada uma é indicada.
É feita com anestesia local, por quadrante ou de boca toda. Na terapia de boca toda, todos os quadrantes são tratados em uma ou duas sessões próximas, com intervalo de um ou dois dias, o que reduz a chance de as bactérias das áreas ainda não tratadas recolonizarem as já tratadas. A duração de cada sessão depende da profundidade das bolsas e da quantidade de tártaro, e costuma ficar entre 45 e 90 minutos.
Bolsas de até cerca de 5 mm costumam responder bem ao tratamento não cirúrgico; bolsas mais profundas são mais difíceis de alcançar, e a eficácia da raspagem diminui à medida que a profundidade aumenta. Depois da raspagem, é comum sentir sensibilidade nas raízes e leve desconforto por alguns dias. Quando a sensibilidade persiste por semanas, ela é tratada com cremes dentais dessensibilizantes e, se necessário, aplicação profissional de flúor ou verniz.
O antibiótico sistêmico, em geral a combinação de amoxicilina com metronidazol por cerca de sete dias, costuma ser reservado a periodontites generalizadas mais avançadas, como em estágios III e IV, conforme protocolo clínico. Ele não deve ser usado de forma indiscriminada: resistência bacteriana, efeitos adversos e falta de benefício em doença leve a moderada contraindicam o uso de rotina.
4. Reavaliação periodontal
A reavaliação acontece de quatro a seis semanas depois da raspagem, quando os tecidos já cicatrizaram o suficiente para uma nova sondagem. O periodontograma é repetido e comparado com o inicial.
Locais em que as bolsas reduziram para menos de 4 mm, sem sangramento, são considerados estáveis. Locais com bolsas residuais acima de 5 mm e sangramento persistente indicam que a inflamação não foi resolvida pelo tratamento não cirúrgico e podem ser candidatos à cirurgia. Ou seja, a decisão cirúrgica é informada pelos resultados da raspagem. Planos que já incluem cirurgia antes da reavaliação merecem questionamento.
5. Cirurgia periodontal, quando indicada
A cirurgia a retalho, com acesso aberto, permite ao periodontista ver diretamente a raiz e o osso, remover o tártaro que a raspagem não alcançou e, quando indicado, fazer procedimentos regenerativos.
Os procedimentos regenerativos, como enxerto ósseo, membranas e proteínas derivadas da matriz do esmalte, buscam recuperar parcialmente o osso perdido em defeitos com formato favorável. Defeitos verticais estreitos, com mais paredes ósseas, costumam responder melhor do que perdas ósseas horizontais. A regeneração periodontal não é universal, não é completa e não é garantida: os resultados variam conforme a anatomia do defeito, a biologia de cada pessoa e o controle da placa depois da cirurgia.
As cirurgias mucogengivais, como o enxerto de tecido conjuntivo para cobrir raízes expostas por retração da gengiva, têm outros objetivos: melhorar a estética, reduzir a sensibilidade e proteger as raízes de novas perdas.
E o laser?
O laser de diodo e o laser Er:YAG são as tecnologias mais discutidas em periodontia. O diodo é usado principalmente como complemento à raspagem, pela ação antibacteriana na bolsa, e alguns estudos mostram redução adicional de bolsas residuais quando ele é combinado ao tratamento mecânico. O Er:YAG remove tecido e pode ser usado na limpeza da raiz e de tecidos moles.
A posição de sociedades como a American Academy of Periodontology é que o laser pode ser um complemento útil, mas não substitui a raspagem como tratamento principal. Propostas de tratamento só com laser, sem raspagem mecânica, merecem questionamento sobre as evidências que as sustentam.
Manutenção periodontal: a etapa que mantém o resultado
O tratamento ativo termina quando as bolsas atingem profundidade compatível com saúde ou doença controlada. A partir daí, o paciente entra na manutenção periodontal de suporte, que é permanente.
A frequência das consultas é definida pelo risco de cada paciente. Em geral, elas ocorrem a cada três meses no primeiro ano e podem ser espaçadas para quatro meses em quem tem boa resposta e baixo risco. Em cada consulta, o profissional refaz a sondagem dos pontos críticos, remove o biofilme e o tártaro que voltaram a se formar e ajusta a higiene em casa.
O tratamento controla a infecção, mas não elimina para sempre as bactérias que causam a doença. O biofilme se forma de novo continuamente, e a manutenção profissional impede que a recolonização das bolsas volte a causar destruição. Estudos de longo prazo mostram que pacientes tratados que não fazem manutenção têm taxas de recidiva e de perda de dentes bem maiores do que os que seguem o protocolo.
Quem tem mais risco de doença periodontal?
A periodontite não atinge só quem tem higiene precária. A doença é multifatorial: a bactéria é necessária, mas não suficiente, e a resposta inflamatória de cada pessoa é o que determina se a infecção causa destruição ou é contida.
Tabagismo
O tabagismo é o fator de risco modificável de maior impacto sobre a doença periodontal. Estudos apontam que fumantes têm risco de duas a sete vezes maior de desenvolver periodontite grave em comparação com não fumantes. O fumo também reduz a circulação na gengiva e mascara o sangramento, e a resposta ao tratamento é pior: a redução das bolsas depois da raspagem é menor e a recidiva é mais frequente. Parar de fumar faz parte do tratamento.
Diabetes
O diabetes tem relação de mão dupla com a doença periodontal. Pessoas com diabetes têm risco maior de periodontite, por alterações na resposta imunológica e na cicatrização, e a periodontite não tratada pode piorar o controle da glicemia. Esses pacientes costumam precisar de manutenção mais frequente, em geral a cada três meses.
Predisposição genética
Variações em genes que regulam a produção de substâncias inflamatórias, como a interleucina-1 (IL-1), foram associadas a maior suscetibilidade à periodontite e a progressão mais rápida da perda óssea. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas desenvolvem periodontite grave mesmo com boa higiene. Histórico familiar de perda precoce de dentes por “problema de gengiva” merece avaliação periodontal.
Outros fatores de risco
- Obesidade: amplifica a resposta inflamatória do organismo à infecção periodontal.
- Estresse crônico: eleva o cortisol e compromete a função imunológica.
- Alguns medicamentos: fenitoína, ciclosporina e bloqueadores de canal de cálcio podem causar aumento do volume da gengiva.
- Bruxismo: não causa periodontite, mas sobrecarrega dentes que já perderam suporte.
Doença periodontal e saúde geral
A periodontite não tratada é um foco infeccioso crônico que mantém uma inflamação de baixo grau no organismo. Meta-análises mostram associação entre periodontite grave e maior risco de doença coronariana e AVC, e mulheres com periodontite moderada a grave apresentam associação com parto prematuro e baixo peso ao nascer. A relação de causa e efeito ainda é estudada, mas a associação é consistente o bastante para justificar a conversa entre o dentista e o médico.
Na gravidez, as alterações hormonais deixam a gengiva mais reativa à placa, e a gengivite na gestação é comum. A avaliação periodontal é recomendada antes da concepção ou no início da gestação. A limpeza acima da gengiva e a orientação de higiene podem ser feitas desde o início, e a raspagem abaixo da gengiva, quando necessária, costuma ser programada para o segundo trimestre.
Como escolher o periodontista: as perguntas certas
Há desde serviços de limpeza em clínicas gerais até consultórios com periodontistas titulados. A diferença importa, especialmente em periodontite moderada a grave, em que um protocolo inadequado pode levar a recidiva, cirurgia evitável ou perda de dentes.
- Formação: o profissional é especialista em periodontia? Cursos de aperfeiçoamento não equivalem à especialidade.
- Diagnóstico: a clínica faz periodontograma completo antes do tratamento? A limpeza acima da gengiva, que remove o tártaro visível, é prevenção, não tratamento de periodontite. Sem periodontograma, não há como classificar a doença, definir o protocolo nem medir os resultados.
- Reavaliação e manutenção: há consulta de reavaliação com nova sondagem e um protocolo de manutenção com frequência definida?
- Comunicação: o profissional mostra o periodontograma, explica cada medida, discute o prognóstico de cada dente e alinha expectativas antes de apresentar o plano?
No Instituto Siguimi Tanigute, que atua em Goiânia desde 1992, o protocolo periodontal inclui periodontograma digital, reavaliação após o tratamento e programa de manutenção individualizado. Raio-X e tomografia são feitos na própria clínica, o que ajuda quando o plano envolve outras áreas, como implantes ou próteses.
O que determina o resultado do tratamento
A doença periodontal é crônica, multifatorial e silenciosa no início. Quando tratada no momento certo e seguida de manutenção adequada, costuma ter bons resultados e pode preservar os dentes por muitos anos, mesmo em casos de perda óssea moderada a grave. O resultado depende da qualidade da raspagem ou da cirurgia, da regularidade da manutenção, do controle de fatores como o fumo e o diabetes e da higiene diária entre as consultas.
Quando um dente não pode ser mantido, a gengiva e o osso precisam estar saudáveis antes de qualquer reposição. Por isso o controle periodontal vem antes do implante dentário e de outras reabilitações.
Se você tem sangramento na gengiva, mau hálito persistente ou dentes com mobilidade, agende sua avaliação pelo WhatsApp (62) 99946-2547. Conheça também como é o tratamento periodontal no Instituto Siguimi Tanigute: a avaliação inclui periodontograma completo e orientação sobre o tratamento adequado ao seu caso.